Vida criativa - A minha grande magia

  Recentemente li um livro da escritora Elizabeth Gilbert, “Grande Magia, vida criativa sem medo”, quando olhei o título algo me levou a comprar de imediato o livro, talvez porque acredito na magia que possuímos, talvez por ter passado os melhores momentos da minha vida só depois de abandonar tudo e recomeçar.
  

   Identifico-me bastante com a escritora devido ao seu livro “comer, amar e rezar” mas existem muitas mais pessoas a identificarem-se com esse livro e a gostar dele, a diferença está em chegarmos a um limite do nosso ser em que já não suportamos mais aquela rotina, aquela forma de viver e já nada entra em consenso no nosso pensamento e só resta uma solução, a mudança, a força de arriscar, o poder de acreditar na grande magia em que vivemos. 
    É disto que o livro “Grande magia” trata, da maneira como vemos a criatividade, o medo que nos preenche em muitas situações da vida, como por exemplo não sermos suficientemente originais para um trabalho, não sermos “aprovados” pelos outros, medo de falhar uma, duas e mais vezes e acharmos que não existe talento dentro de nós. É neste aspeto que temos de trabalhar todos os dias, temos de fazer, construir, imaginar, explorar outros assuntos e outras áreas, não deixar fugir nenhuma ideia, mesmo que não dê certo ela foi nossa por breves momentos e vai fazer-nos sentir vivos.  

   Eu já passei por várias fases na minha vida criativa, a fase em que vives na depressão, que és apática, respiras sofrimento e realmente a arte que sai de ti é única e incrivelmente expressiva.
 Quando estás nesta fase nada importa, não importa se o trabalho é bom ou mau, não importa se alguém vai ver e criticar, o que realmente importa é que no momento em que estás a criar não existe mais nada, não existem pensamentos, a criatividade flui, a magia aparece e o sofrimento transforma-se em expressividade e o que produzes é a tua verdadeira essência. Tu vives para fazer arte.














   Depois da fase depressiva, veio a fase em que achei que a vida tinha melhorado, entrei na faculdade no curso que queria. Tudo o que sempre achei ser melhor para mim. No entanto comecei a questionar-me se todo aquele sistema era correto, se eu era verdadeiramente feliz, se achava correto outra pessoa avaliar a tal criatividade que veio ter comigo naquele momento para aquele trabalho daquela disciplina. 

   Comecei a entrar numa fase da criatividade que só resultava devido a uma revolta que vivia dentro de mim, indignada com os pensamentos e perguntas que me acompanhavam dia e noite. Sinceramente nem eu sei como conseguia ter ideias e fazer alguma coisa... talvez porque quando a paixão é verdadeira, arranjamos força para investir. 















    O tempo foi passando e o medo começou a surgir, medo de não conseguir, medo de ser uma máquina na sociedade e conforme foi piorando o lado criativo foi fugindo. Nenhuma ideia quer estar ao lado de uma pessoa que não tem paixão para a realizar. 
   Comecei a sentir que aquilo não era o meu mundo, que aquela vida não era para mim e o trabalho que devia fazer por gosto comecei a fazer por obrigação e desisti. Desisti de ser designer de moda, desisti da vida acadêmica, desisti de ser a melhor, desisti de ser sempre correta e respeitar as regras.
   
   A minha vontade era fugir, ir para outro lugar, um lugar onde conseguisse testar os meus limites, onde não tivesse ninguém para julgar, onde não tivesse o sistema de ser a melhor para ser valorizada e mais tarde ganhar muito dinheiro ao fazer o que sempre sonhei porque, sejamos sinceros, isso não existe!
 
   Eu pedi tanto, mas tanto para ir embora que a magia aconteceu! Fui para Timor-Leste, lá tudo era perfeito para mim, a felicidade existia com pouco, sem shoppings, sem tempo de laser, sem conversas de café, sem maquilhagem, sem faculdades e sem criticas, encontrei a criatividade e ela começou a viver em mim a toda a hora. Voltei a pintar, voltei a desenhar, voltei a encontrar os “dons” que tinham fugido. Mas o mais incrível, o mais mágico de tudo foi ter dado a crianças um lado criativo, partilhar o que aprendi durante as outras fase da minha criatividade, dar o poder da abstração do mundo real através do desenho e da pintura. 












   

  Eu não pedia nada, eu vivia feliz todos os dias, sorria o dia inteiro, era rodeada de amor e foi assim que me comecei a encontrar, a mim e à minha verdadeira essência.  Aberta ao mundo, à natureza, à criatividade e com ajuda da meditação, tudo começou a fazer sentido. Coisas boas aconteceram durante esta fase, trabalhei, fiz várias amizades, conheci Bali, como também me apaixonei pelo melhor homem que já conheci. 







   Depois de vários momentos, a viagem continua... vim para o Brasil  e aqui nasce outra fase de criatividade, pois quando amas alguém e vais para outro lugar recomeçar tudo de novo ou dar continuidade à  história,  a vida criativa volta a mudar.

   Neste momento não sei o que vou fazer, o que vou ser ou no que vou trabalhar, mas ganhei outra coisa que em outros tempos não tinha: não desistir, por exemplo há muito tempo que queria criar um blog mas acabava por desistir da ideia, mas desta vez não a deixei fugir! 


   Eu não deixei de amar as coisas que já amava, não deixei de ter interesse pelo que me apaixonava,  simplesmente abdiquei da vida que tinha construído, agarrei toda a minha aprendizagem e fui à procura da verdadeira Bárbara, procura esta que ainda continua, todos os dias, a todo o momento dentro do meu mundo criativo e do mundo real. 
   Posso ter ido embora mas há uma coisa  que vou guardar sempre, as pessoas que me acompanharam em todas estas fases sem nunca me fazerem esquecer o que eu um dia poderei ser.




 "Mas a vida criativa pode ser uma incrível vocação, se você tiver o amor, a coragem e a persistência de enxergá-la dessa forma. Eu diria que essa talvez seja a única maneira de se abordar a criatividade sem perder a sanidade, pois ninguém nunca nos disse que seria fácil e, quando decidimos levar vidas criativas, nossa única certeza é a incerteza" - Elizabeth Gilbert




   Seja criativos, mudem de lugar, agarrem ideias, façam outras coisas, amem, apaixonem-se pelo vosso trabalho mas a cima de tudo acreditem na "Grande Magia"


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